Belo Horizonte entrou junho sob nova pressão no custo de vida. Levantamento divulgado na última semana mostra que a cesta básica na capital acumulou alta expressiva em 2026, puxada principalmente por tomate, batata e feijão.
Os dados mais recentes indicam que o conjunto de alimentos chegou a R$ 825,99 em maio, após avanço mensal de 4%. No acumulado do ano, a alta já soma 14,2%.
O movimento recoloca a inflação dos alimentos no centro das preocupações das famílias, especialmente num período em que a renda segue apertada e o inverno costuma pressionar itens sensíveis ao clima.
O que mudou no preço da cesta básica em BH
Segundo reportagem publicada em 11 de junho, o preço da cesta básica em Belo Horizonte acumula alta de 14,2% em 2026.
Entre os 13 produtos pesquisados, nove registraram aumento entre janeiro e maio. O maior salto veio do tomate, com avanço de 99,29% no período.
A batata subiu 94,84%, enquanto o feijão carioca avançou 51,59%. Também ficaram mais caros leite integral, manteiga, carne bovina, pão francês, arroz e farinha de trigo.
- Tomate: alta de 99,29%
- Batata: alta de 94,84%
- Feijão carioca: alta de 51,59%
- Custo médio da cesta em maio: R$ 825,99
Por que os alimentos dispararam
A explicação principal está na oferta menor de hortaliças e grãos. Frio, pragas e mudanças de safra reduziram a disponibilidade de produtos importantes no varejo.
No caso do tomate, o mercado sentiu o impacto combinado do clima e de problemas em áreas produtoras. Já a batata foi afetada pelo fim da safra das águas.
O comportamento do feijão também seguiu pressionado por restrição de oferta e incertezas climáticas. Em março, o próprio Dieese já apontava Belo Horizonte com cesta de R$ 784,32 e alta mensal de 6,44%, sinal de encarecimento contínuo.
- clima frio afetando lavouras;
- pragas em praças produtoras;
- transição entre safras;
- custos logísticos e agrícolas elevados.
Impacto direto no orçamento das famílias
Com a cesta mais cara, o trabalhador precisa comprometer fatia maior do salário para comprar apenas o básico. Isso reduz espaço para transporte, lazer, remédios e contas domésticas.
Segundo o levantamento citado pela reportagem, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir a cesta em BH chegou a 112 horas e 6 minutos em maio.
Em março, o Dieese já mostrava que a cesta consumia mais da metade do salário mínimo líquido na capital. A tendência reforça uma perda gradual de poder de compra ao longo de 2026.
O que observar nas próximas semanas
A expectativa do mercado é de desaceleração em alguns itens, caso novas safras ampliem a oferta. Isso, porém, não significa queda rápida dos preços nas gôndolas.
Em paralelo, a agenda oficial da prefeitura segue acompanhando o calendário urbano e econômico. O município informou, por exemplo, que mais de 169 pedidos de licenciamento de eventos foram protocolados entre junho e agosto, um cenário que amplia circulação de pessoas e consumo na cidade.
Para o morador de Belo Horizonte, o dado mais urgente continua sendo o mesmo: comida básica está mais cara, e o alívio ainda depende de oferta maior no campo.
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